Lauro Arreguy no Cinema Base
30/06/2010
Robert Zemeckis
Buenasindiada, começo hoje com a coluna sobre cinema do blog. Esse espaço é destinadopara falar de uma maneira geral sobre cinema, desde 1895 até hoje.
Paraabrir esta coluna vou fazer uma homenagem e uma revisão cinematográfica de umgrande diretor contemporâneo, discípulo de Steven Spielberg e para mim um dosmais inovadores diretores que consegue dialogar com vários estilos sempre demaneira brilhante. Estou falando de Robert Zemeckis.
Vindo de Chicago, começouestudando cinema na USC (Universidade da California do Sul). Lá encontrou seuamigo e colaborador inseparável Bob Gale. Zemeckis começou com curtas na suafase estudantil, os quais impressionaram Spielberg que resolveu produzir suaestreia no cinema, o filme Febre de Juventude (I Wanna Hold Your Hand,1978). Aliás que estreia. Febre de Juventude fez pouco sucesso masestourou no Brasil como um filme de culto nas inúmeras vezes que passou na sessão da tarde. As aventuras de um grupo de amigos que viajampelos EUA para chegar em Nova York e assistir a histórica apresentação dos Beatles noprograma de televisão Ed Sullivan Show. Mostrando um retrato fiel e bemhumorado do que representava a Beatlemania e já abusando de efeitos misturandoimagens da época com os atores. Destaque para Nancy Allen como Pam, a noiva nemtão fã dos Fab Four que consegue entrar no quarto dos Beatles, atriz que naépoca era casada com o mestre Brian de Palma.
Seupróximo filme Carros Usados (Used Cars, 1980) também produzido peloSpielberg, tinha um original roteiro com grandes atuações de Kurt Russel como ovendedor de carros e Jack Warden fazendo os irmãos gêmeos da trama, um bomfilme, um pouco esquecido, mas aquém da sua estreia.
Ambos filmes fracassaramem termos de público, mas seu terceiro longa Tudo por uma Esmeralda(Romancing in The Stone), foi produzido por Michael Douglas, tambémimpressionado pelo talentoso diretor, que não perdeu a oportunidade e dirigiucom muita qualidade a aventura nas selvas colombianas da sonhadora escritoraJoan Wilde (Kathlen Turner) e do aventureiro Jack Colton (Michael Douglas) embusca da sequestrada irmã de Joan. Grande atuação de Danny de Vitto que devidoà quimica com o casal de protagonistasfez a continuação da franquia com os atores, já sem a direção de Zemeckis. Tudopor uma Esmeralda foi o primeiro sucesso comercial de Robert Zemeckis eabriu as portas para ele e Bob Gale, aproveitando os louros da fama, realizaremsua obra prima oitentista De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985).
Esse misto de comédia com ficçao científica sobre a viagem no tempo de Marty McFly (Michael J. Fox) na De Lorean do cientista Doc Brown (Cristoper Lloyd) aoano de 1955, com certeza é um dos maiores filmes dos anos 80, com cenas inesquecíveisnuma trilha sonora excelente do seu sempre colaborador Alan Silvestri, umgrande sucesso que levou multidões ao cinema e provocou ansiedade para saber oque aconteceria nas continuações. Zemeckis demorou três anos e dirigiu logoduas continuações, o 2 e o 3 lançando uma em 1989 e outra em 1990. A segunda parte comas idas e vindas de Marty no passado, presente e futuro de Hill Valley e aterceira com uma homenagem aos faroestes clássicos com uma viagem no tempo para1885. De Volta para o Futuro se tornou umas das franquias e séries maisfamosas e idolatradas no cinema numa época de ainda parcos recursostecnológicos mas onde ainda se primava a criatividade, enfim... No interim dagravação das continuações, Zemeckis dirigiu em 1986 com Cristopher Lloyd e MaryStuart Materson (De Volta Para o Futuro 3), um episódio de HistóriasMaravilhosas, de nome Aluno Excelente, uma impressionante história com requintes de magia negra evingança.
Chega1988 e Zemeckis capricha com o inovador Uma Cilada para Roger Rabbit (WhoFramed Roger Rabitt), onde ele mescla personagens reais com desenhosanimados com uma técnica de live action que marcou época. O enredo, umahomenagem aos filmes noir dos anos 40, com direito a um detetive (BobHopkins), um coelho simpático e uma femme fatale das mais famosas ebelas do cinema (mesmo que seja em animação), a inesquecível Jessica Rabbitt(com a voz de Kathleen Turner), tornou-se mais um grande sucesso mostrando suaversatilidade e técnica.
Nodesabrochar dos anos 90, Zemeckis larga sua fase roterista e assume de vez a derealizador e em 1992 realiza a comédia de fantasia A Morte lhe Cai Bem(Death Becomes Her, 1992) dirigindo feras do naipe de Meryl Streep, GoldieHawn, Bruce Willis e Isabella Rosselini, numa sátira sobre a ditadura da estética que não fezmuito sucesso mas que teve efeitos inovadores e marcantes, porém um filme menorem sua carreira.
Em1994, com Forrest Gump – O Contador de Histórias (Forrest Gump), odiretor realiza sua obra prima. Baseado num livro de Winston Groom e adaptadopor Eric Roth, com uma linda trilha sonora de Alan Silvestri, nos conta um dasmais belas histórias do cinema. A saga de Forrest Gump, o maior heroi americano(às avessas, é claro) é pontuado com intenso lirismo, belas imagens e umaedição de primeira, mostrando fatos da história da América intercalando com avida do bobalhão Forrest. Efeitosdigitais apurados, uma trilha musicalcom clássicos absolutos dos anos 50 até os 80 e uma atuação soberba de TomHanks, talvez a melhor de toda sua vida. Ganhou seis Oscars, incluindomelhor filme, ator para Hanks e direção para Zemeckis na sua consagração ereconhecimento como grande cineasta mostrando que grande diretor é quem fazgrandes filmes (e idiotas é que fazem idiotices). Com o sucesso de Forrest,Zemeckis pára por três anos e realiza Contato (Contact, 1997), tendo como roteiro de um dos maiores cientistas dahistória, a lenda Carl Sagan. Um filme polêmico por tratar ciência e religiãoem contrapontos, com uma bela atuação de Jodie Foster como a Dra. EllieArroway, com uma direção competente e questionadora que, com certeza, entra norol das melhores histórias de ficção científica dos anos 90.
Noano 2000 Zemeckis partiu para dois projetos simultâneos. O primeiro era o filmeNáufrago, que necessitava de uma pausa para que Tom Hanks perdessepeso. O outro, realizado neste intervalode tempo era Revelação (What Lies Beneath). Neste filme, BobZemeckis dirige Harrison Ford e Michele Pffeifer numa história onde fantasmasdo passado literalmente atormentam a vida perfeita do Dr. Norman e sua esposaClaire, um filme de suspense e terror na medida, muitas vezes esquecido pelopúblico mas bem acertado pela direção precisa de Zemeckis em mais uma prova dasua versatilidade de estilos.
Seu segundo filme do ano, Náufrago (Cast Away,2000), conta a história de Chuck Noland, um metódico funcionário da Fedexque se vê sozinho numa ilha deserta após um acidente aéreo. É um dos filmesmais ousados de Zemeckis, quase sem diálogos, uma luta pela sobrevivência emocional, fisica e comunicativa dopersonagem, que passa quatro anos numa ilha, com mais um direito a um show deTom Hanks que construiu mais um personagem para o seu rol. Aliás, depois destefilme, uma bola de vôlei se tornou mais que um amigo...
Em2004, novamente a parceria Zemeckis e Tom Hanks (interpretando seispersonagens, na maioria das vezes digitalizados) se une para realizar OExpresso Polar (Polar Express), uma fábula infantil onde, abusando derecursos digitais, renovam as lendas natalinas e crenças no Papai Noel, mais umousado trabalho de Bob Zem para um público mais jovem, mas nunca perdendo suatécnica e qualidade, nos brindando com uma bela experiência visual.
Em2007, Zemeckis dirige a Lenda de Beowulf (Beowulf) e mais uma vez eleinova filmando uma adaptação de um poema épico dinamarquês, em um brilhante roteiro com muita ação e grandes efeitosvisuais, ele mostra sua apurada capacidade de artesão de novas tecnologias,misturando animação e realidade com uma técnica de captura de movimentos,dirigindo um time de atores fabulosos como Anthony Hopkins, Angelina Jolie,Robin Wright Penn, John Malkovich entre outros. Essa fábula, feita para oformato 3D, já anunciava revoluções que só pintariam dois anos depois comAvatar, mais um ponto da genialidade de Zemeckis.
Em2009, lança Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol), e como já tinhafeito com seus dois filmes anteriores, ele usa mais uma vez, e com maiorperícia, a técnica de captação de imagens adaptando para a telona a famosa eclássica história natalina de Charles Dickens, Um Conto de Natal, destavez, com o rabugento Scrooge sendo interpretado – captado – por Jim Carrey. Mascomo sempre, por mais que o diretor nos encante com seus efeitos digitais, essaobra consegue passar humanidade, lirismo e drama sendo até uma versão sombria eamarga demais do famoso conto.
RobertZemeckis pode ser analisado e conhecidocomo um dos mais versáteis, inovadores e, acima de tudo, humano, dos diretores norte-americanos. Analisando suaobra vê-se que com muito poucos erros e grandes acertos, criou uma obra únicaque mescla o cinemão de grande público com muita qualidade. Assim, possoafirmar que é um dos grandes gênios do cinema moderno.
Filmografia (Longa Metragem) e Notas (atribuídas por mim):
2009 - Os Fantasmas de Scrooge 7,0
2007 - Beowulf 8,0
2004 - O Expresso Polar 7,0
2000 - Náufrago 8,0
2000 - Revelação 7,0
1997 - Contato 8,0
1994 - Forrest Gump - O Contador de Histórias10,0
1992 - A Morte lhe Cai Bem 6,5
1990 - De Volta para o Futuro III 8,5
1989 - De Volta para o Futuro II 8,0
1988 - Uma Cilada para Roger Rabbit 8,0
1985 - De Volta para o Futuro 9,5
1984 - Tudo por uma Esmeralda 7,5
1980 - Carros Usados 6,0
1978 - A Febre da Juventude 7,0
Grande Lauro Arreguy, mestre em cinema. Dúvidas, Pedidos, Indicações sobre cinema entre em contato conosco. Agora com mais um grande nome, Lauro Arreguy, fica ainda mais fácil falarmos sobre a sétima arte.
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2 comentários:
Parabéns pela matéria, Lauro. Como sempre, a qualidade prima em tuas matérias. Não adianta. Mestre é mestre. E ainda mais o tema escolhido. Dentro os filmes do Bob, pelo menos um deles, citado, está entre os meu top 10. Parabéns e seja bem vindo aos colunistas VIP da Rádio Núcleo Base - a rádio diferente ...
Interessante. Eu não sabia que o Robert Zemeckis era o diretor de filmes importantes dos idos 80. Gostei da matéria. Gostaria de sugerir que falem do curtindo a vida adoidado, que é contemporâneo do Robert Zemeckis.
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